Dívida da Prefeitura com a ABBC chega a aproximadamente R$ 9 milhões 

Na manhã desta segunda-feira, dia 26, cerca de 15 funcionários da Associação Brasileira de Beneficência Comunitária (ABBC)  que prestam serviços nas unidades de saúde, estiveram na sede da entidade, no centro, com o objetivo de obter informações com relação ao pagamento do 13º salário, que está atrasado e também do dissídio dos últimos dois anos, que também está atrasado.

Os funcionários saíram da reunião preocupados já que não há previsão da quitação do débito ainda este ano.

O atraso no 13º salário não é exclusividade dos técnicos de enfermagem, educadores físicos, psicólogos, auxiliares de odontologia e auxiliares de farmácia que atuam nas unidades de saúde mas também dos profissionais que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que inclusive, já sinalizaram com possibilidade de paralisação caso o pagamento não ocorra nos próximo dias.

O mesmo vale para funcionários da empresa El Shadai, que também prestam serviços nos postos, via contratação da ABBC.

A funcionária Luciana de Moreschi, que está com o 13º salário atrasado, falou à imprensa, após a reunião, que durou cerca de um hora, em nome da comissão de funcionários que foi recebida por dois representantes do financeiro da empresa a Odete e o André.

“Eles disseram que já foi feito um pedido para o sindicato para parcelar tanto o 13º quanto o dissídio, que está atrasado. Parcelar, em cinco vezes, a partir de março.”

Além desta previsão de pagar o 13º em cinco vezes ela disse que durante a reunião foram informados que a Prefeitura deve para a ABBC aproximadamente R$ 9 milhões e que, portanto, o atraso do pagamento acontece por causa da falta de repasses.

Vale lembrar, entretanto, que no último dia 21, questionamos a Divisão de Imprensa sobre repasses e possíveis atrasos e fomos informados que naquela data, um repasse tinha sido feito à ABBC. Não fomos informados sobre pendências.

Fizemos novo contato com a Prefeitura, para atualizar as informações, via e-mail, mas até as 15h10, não obtivemos retorno.

A ABBC é responsável pelo gerenciamento compartilhado da saúde no município desde 2013 através de dois contratos: uma que prevê o gerenciamento das unidades de saúde e vai até o dia 29 de março de 2017 e outro que vai até 29 setembro de 2017 e engloba o gerenciamento da UPA e do SAMU.

A pergunta que os funcionários fazem é quem irá garantir que a entidade realmente vai honrar estes pagamentos a partir de março já que um dos contratos vence em março. Eles estão temerosos que a entidade não renove o contrato com a Prefeitura e eles fiquem sem receber.

“Eles disseram que estavam na esperança de receber o dinheiro e como foi dito lá dentro, ninguém vive de esperança. Nem eles, nem nós. Cada um aqui se planeja para pagar suas contas e a gente não está pedindo nada mais do que o nosso direito”, disse a funcionária Luciana de Moreschi.

Muitos dos funcionários que participaram da reunião preferiram não tirar foto e nem se identificar, porque temem por represálias. Informaram também que na reunião registraram seus nomes, a pedido da ABBC.

No final da reunião Josi Salgueiro, responsável pelo departamento de Marketing da ABBC, atendeu a imprensa, informando que a entidade, só se manifestaria por nota, via e-mail afinal já tinham se pronunciado aos funcionários que eram os maiores interessados no assunto.

Enviamos e-mail para a entidade, com questionamentos, mas até as 15h10 não tínhamos recebido retorno.

A ABBC foi contratada por Fernão Dias com a proposta de melhorar o atendimento na saúde. De lá para cá, muitas são as reclamações, atrasos de pagamento e denúncias. Os contratos, inclusive foram rejeitados pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.