O Ministério Público Federal (MPF) expediu recomendações a 4.703 prefeituras, entre elas a de Bragança Paulista, para que realizem visitas domiciliares a mais de 870 mil beneficiários do programa Bolsa Família, a fim de checar possíveis irregularidades no pagamento do benefício.

O MPF acredita que haja empresários e doadores de campanha com indicativos de renda incompatíveis com o perfil de pobreza ou extrema pobreza exigido pelas normas do benefício social, que estão recebendo a ajuda do governo.

Nome de pessoas já falecidas também estão na mira da investigação.

Em Bragança Paulista, segundo diagnóstico do MPF existem 318 benefícios com suspeita de irregularidades.

As suspeitas surgiram após o cruzamento de dados públicos do governo federal, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), da Receita Federal e dos tribunais de Contas estaduais e municipais.

Segundo o resultado do Raio-X Bolsa Família, divulgado na quinta-feira, dia 11, entre 2013 e 2016, os pagamentos a perfis suspeitos de irregularidades somaram mais de R$ 3,3 bilhões.

Em Bragança Paulista, o valor suspeito de irregularidades ultrapassa a casa de R$ 1 milhão e 37 mil, ou seja, 3,75% do valor pago no período, que totalizou mais de R$ 27 milhões e 600 mil.

O MPF recomendou, caso as irregularidades sejam confirmadas, que a Prefeitura cancele os benefícios.

Ainda segundo o diagnóstico, do total pago a perfis suspeitos, em todo o país, mais de R$ 2 bilhões foram destinados a empresários; mais de R$ 1 bilhão a servidores públicos com clã familiar de até quatro pessoas.

Além disto, mais de R$ 25 milhões foram pagos a beneficiários falecidos e mais de R$ 11 milhões a doadores de campanhas que doaram valores superiores ao benefício recebido. Os dados mostram ainda que mais de R$ 11, milhões teriam sido pagos à servidores públicos doadores de campanha (independentemente do valor da doação).

Apenas 31 cidades em todo o país, não apresentaram indícios de pagamento suspeito.