Conselho Tutelar: massacre de Suzano foi estopim para ações em escolas

O massacre de Suzano e as ameaças posteriores registradas em Bragança Paulista, e diversas outras cidades país a fora,  servem de alerta para a comunidade escolar, pais e a população em geral.  Para Marisa Lima, Simone Migliorelli Marques e Netânia Carvalho do Conselho Tutelar de Bragança Paulista,  o massacre foi um estopim para uma  uma série de acontecimentos nas escolas.

Diante da repercussão da reportagem “Duas escolas de Bragança registram ameaças após massacre de Suzano” divulgada pelo Bragança Em Pauta”, no sábado, 17, a reportagem esteve no Conselho Tutelar, conversando com as conselheiras.

Problemas nas escolas já existiam

Elas ressaltam que apesar do massacre ter sido um estopim para as duas ocorrências em Bragança Paulista, anteriormente já eram registradas nas escolas locais situações, por exemplo, de ameças entre alunos. Além disso, são constantes às ameaças à professores, drogas, bullying.

Esta é uma realidade para qual muitos fecham os olhos, porém, é necessário muita atenção.  Casos de bullying, por exemplo, não são exclusivos de escolas do Estado, acontecem em escolas municipais e particulares também.

Estes problemas acontecem, segundo ele, tanto na Zona Urbana como na Zona Rural.

Para elas, fica claro que, grande parte dos problemas no ambiente escolar acontecem por negligência dos pais e não das escolas.

Marisa Lima, presidente do conselho é categórica: “Os pais são os primeiros responsáveis pelos filhos. Muitos acham que a responsabilidade é do Estado e querem transferir esta responsabilidade. Estão errados”, diz.

As conselheiras ressaltam ainda que os pais são os espelhos do filho. Cabe aos pais, portanto,  saber ter autoridade sobre eles. “Muitos pais acham normal, por exemplo, beber na frente dos filhos ou com os filhos. Como podem cobrar algo quando os adolescentes chegam bêbados em casa?”, questiona Marisa Lima.

As ameaças em Bragança

Com relação às ameaças registradas em duas escolas da cidade, as conselheiras acreditam que foram casos bem pontuais. Ambos aliás, já estão sendo acompanhados não só pelo Conselho Tutelar. Os jovens já foram ouvidos pela polícia, bem como encaminhados para serviços de saúde. Também serão acolhidos por programas como Jovens Brasileiros em Ação (JBA) e Papo Sério.

O garoto que disse que mataria a professora quando ela o proibiu de ver o vídeo em sala de aula, já era acompanhado anteriormente.

O outro jovem que chegou a publicar em grupos de WhatsApp que um dia faria um massacre na escola onde estuda, chegou segundo elas a pedir desculpas sobre suas postagens.

“Ele agiu de forma impensada. E agora está com muito medo da repercussão. Na sexta-feira, 15, quando falamos com ele já estava arrependido e muito nervoso”, disseram.

Após as ameaças, que segundo ele foram em tom de brincadeira, a repercussão foi tão instantânea que ele chegou a falar com amigos ainda na sexta-feira, 16,  que agora não poderia mais realizar seus sonhos.

“Ele precisa de um acompanhamento e já fizemos os encaminhamentos”, disseram.

Os colegas de escola e os pais de aluno ficaram receosos após as ameaças. A escola chegou a reunir a comunidade escolar nesta segunda-feira, 18 para tratar do tema. A ideia além de tranquilizar os pais, era desmentir boatos e fake news.

Fake News

As conselheiras alertam inclusive para os perigos da fake news. “Na casa dele não foram encontradas drogas ou armas, como estão falando por ai. Também não havia muitos jogos de violência, ou coisas assim”, disseram.

Infelizmente, no entanto, tem sido compartilhado no WhatsApp  um áudio que diz que a polícia saiu da casa do menor com um saco de armas.

“Saímos de lá com um saco de roupas, porque ele não tinha uma mochila para colocar as coisas dele e ir para casa do pai”, disse a conselheira Simone.

Elas relembram que espalhar notícias falsas também é crime  e que as pessoas devem ficar atentas ao que compartilham por ai. Aliás, ficar atento ao que os filhos fazem na internet, o que jogam e quem são seus amigos também são atos importantes.

Muitos dos pais, além de não conhecer os amigos dos filhos, não frequentam sequer as reuniões escolares. Também não sabem as angústias que os filhos têm, porque pouco tempo se dedicam realmente a eles.

“Os pais precisam orientar seus filhos. Os pais precisam saber o que seus filhos estão fazendo. Os primeiros responsáveis pelos filhos são os pais. O problema é que as pessoas querem transferir a responsabilidade e a culpa para o Estado”, diz Marisa Lima.

As conselheiras acreditam que o garoto queria na realidade chamar atenção. “É como se ele dissesse: alguém me nota ou talvez, alguém me dá um freio”, disseram.

Muitos dos adolescentes, segundo elas não tem qualquer freio em casa. “Quando são atendidos pelo Conselho Tutelar, rapidamente criam vínculos com a gente”, disseram.

Ações do Conselho Tutelar

As conselheiras acrescentam que constantemente o Conselho Tutelar faz ações em escolas tanto estaduais, como municipais e até particulares.  “Estamos sempre a disposição. O episódio serve de alerta para a comunidade escolar. Está na hora da gente discutir quem são os alunos, como estão lidando com certas situações da vida. Os pais precisam estar mais próximos de seus filhos”, disse.

Elas acrescentam ainda que cerca de 60% dos casos que atendem são de crianças e adolescentes, fruto de gravidez na adolescência e por isto, o Conselho Tutelar desenvolveu a campanha “Gravidez na Adolescência – Conversando sobre o assunto”, a fim de evitar novos problemas no futuro.