Leitores procuraram a reportagem do Bragança Em Pauta após uma postagem do padre Jeferson Mengali, no facebook, sobre as eleições 2018 para reclamar sobre a posição do líder religioso, no momento em que o país passa um momento delicado onde o clima está tenso por causa da corrida eleitoral.

O padre, pároco da igreja de São José, que ficou conhecido nacionalmente por causa de seu amor pelo Corinthians e amizade com o técnico da seleção Tite, fez a postagem na quinta-feira, 20 de setembro, as 12h20, em sua página pessoal, onde tem cerca de 5 mil seguidores.

Na postagem, ele sugere a divisão do país, em dois. De um lado eleitores do Bolsonaro e do outros eleitores do Haddad, como se não houvesse outras opções.

Nossos leitores, que preferem não se identificar para não sofrer represálias, como as ocorridas nas redes sociais com as mulheres que criaram a página “Mulheres contra Bolsonaro”, ressaltam que o líder religioso ao invés de tentar apaziguar os ânimos coloca ainda mais lenha na fogueira ao fazer a divisão, ressaltando que o padre sequer leva em conta que existem milhões de brasileiros que não são nem a favor de Bolsonaro nem de Haddad.

Ao todo são 13 candidatos disputando o cargo de presidente nas eleições 2018.

Confira a publicação:

Na postagem, entre outras coisas, o padre Jefferson, diz que já escolheu o lado e se posiciona a favor de Bolsonaro, defendendo assim a violência e também o preconceito contra a comunidade LGBT, ao falar em morte de traficantes e em família tradicional brasileira.

Ele também pede o fim de programas sociais importantes para milhões de famílias carentes dos pais, como o Bolsa Família, contrariando os princípios da igreja, em defender os mais necessitados.

Além disto, o padre dá voz a fake news ao postar que caso Haddad seja eleito haverá o fim de presídios no país, assaltantes serão tratados como vítimas e a pedofilia será liberada.

Nenhum candidato defende a pedofilia ou fala em fim de presídios.

Leitores ressaltam que o padre, ao se manifestar deveria, ao menos, ter se manifestado sobre as eleições, seguindo preceitos da igreja, assim como faz a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A igreja católica incentiva à participação popular nas eleições, mas não se posiciona a favor deste ou daquele candidato.

A própria CNBB lançou uma cartilha sobre as eleições em que diz que “A polarização de posições ideológicas, em clima fortemente emocional, gera a perda de objetividade e pode levar a divisões e violências que ameaçam a paz social”, que o padre não seguiu, justamente ao sugerir a divisão.

A reportagem do Bragança Em Pauta entrou em contato com o Bispo Diocesano, Dom Sérgio, Aparecido Colombo, para saber qual o posicionamento da igreja sobre as eleições e este tipo de comportamento.

Por e-mail o bispo respondeu que “Se algum presbítero da Diocese estiver usando o púlpito para falar nomes de candidatos  ou partidos políticos é por conta dele”.

Ressaltou ainda que as pessoas, grupos que se sentirem lesadas podem procurar os seus direitos. Não respondeu, entretanto, se já tinha conhecimento das postagens ou recebido reclamações formais sobre o posicionamento do pároco.

O bispo também nos enviou cópia de uma circular, que foi enviada para os párocos no dia 13 de agosto. Na nota, assinada por Dom Sérgio, ele orienta que os cristãos não podem se omitir “uma vez que a política é uma forma privilegiada de caridade e tem como vocação e missão buscar realizar os valores que definem os destinos dos povos e a concepção de pessoa humana, que se traduzam na cultura da Solidariedade” (Papa Paulo VI). “

Na nota, o bispo reconhece que “o momento político parece desacreditado, desanimador, o povo está cansado de promessas não realizadas”, ressaltando que é preciso olhar para frente.

O bispo ressalta ainda que cabe a igreja colaborar na formação da consciência dos seus membros para a participação políticos, oferecer às comunidades oportunidades para conhecerem as propostas dos candidatos e dos partidos, através de reuniões, encontros, debates,  alertar a comunidade sobre a Lei da Ficha Limpa .

“Candidatos corruptos não podem ser eleitos ou reconduzidos ao poder”, diz.

Além disto, Dom Sérgio pede que os eleitores sejam orientados “a não darem seu voto a candidatos que buscam principalmente interesses corporativos, e não estão comprometidos com projetos que visam o bem comum: segurança do povo, liberdade de ir e vir, trabalho, oportunidades para a juventude” e orienta que o templo e as celebrações litúrgicas não sejam usados para propaganda eleitoral.

Por fim, orienta os párocos a não se sobreporem à consciência das pessoas, “mas ajudá-las na compreensão dos valores que contam neste momento. Não vamos ferir a consciência das mesmas dizendo em quem votar. Vamos, sim, abrir perspectivas”.

Ao sugerir a divisão do Brasil em dois e dizer qual lado escolheu, o padre Jeferson fez justamente o contrário das recomendações, o que gerou reclamações de fiéis e leitores em geral.

 

 

11 Comentários

  1. O bom do jornalismo é isto: permitir que ideias antagônicas sejam postas em debate. Por isso, venho aqui apresentar minha solidariedade ao Padre Jeferson Mengali. Porquê há indignação contra ele e não contra os 60 bispos que participaram da 14. Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base ? Lá fizeram um verdadeiro “Lula Livre”, ao modo deles, e outras coisas mais: é a participação explícita de 60 bispos na política! O link a seguir comentando o encontro (https://youtu.be/5-hnf-Z9vD8) foi feito por um anti-petista, mas o bom leitor saberá excluir os exageros e analisar os fatos.

  2. O padre expressou sua opinião em uma página pessoal do Facebook e leitores do jornal se sentiram ofendidos? Não faz sentido. A jornalista quer fazer uma censura contra o padre, mas não tá colando. Se acaso ele apoiasse o Haddad, esses supostos leitores teriam a mesma atitude?
    Mais imparcialidade no jornalismo, por favor! Já não está dando para aguentar tanta hipocrisia.

  3. Essa tal divisão não tem nada a ver com o Padre. Trata-se de um post que ele encontrou no Facebook, copiou e colou em sua página. As duas listas representam a visão dos direitistas e a dos esquerdistas. O padre achou melhor a lista da direita e tem direito de escolhê-la, afinal, ele é um cidadão brasileiro com direito a voto.

  4. Notícia tendenciosa! Jornalistas deveriam nao ser assim! Quero ver se vcs terão coragem de publicar esse meu comentário!

  5. Sou leitor deste jornal digital já alguns meses. Porém assustei me com a composição desta matéria. Ficou visualmente claro uma exposição do que podemos chamar da estratégia Espiral do Silêncio, sendo a mesma uma tática Gramsciana de calar o padre.
    A pessoa que não concorda com o padre, poderia simplesmente postar diretamente na página dele no Facebook. Mas a jornalista foi reclamar com Bispo. Que feio, já que estamos em uma democracia, onde teoricamente temos direito as nossas opiniões.
    Sinceramente esperava isenção e imparcialidade de você.

  6. A reportagem não deixa também de ser tendenciosa. Quer dizer que só existe o outro lado. Não voto em Bolsonaro, mas negar-lhe a participação nas eleições e deixar transparecer que o mesmo não atende o apelo popular, é de um sofisma impar, principalmente, ao se considerar o patrulhamento ideológico, a ideologia de gênero e a corrupção, valores e ações rejeitadas amplamente pela população. Inocente, mesmo, são nossas crianças que estão desamparadas por uma política educacional que ignora valores básicos de uma educação familiar. A segurança se tornou tão cara para nosso povo, que não dá mais para andar pelas ruas e ver nossos jovens se drogando e tendo a proteção do Estado. Não se pode assumir como valores, alegar inocência de um governo que mergulhou na corrupção, levando o País há crise econômica insustentável, causado milhões de desemprego. Esses fatos, não podem e devem ser empurrados para baixo do tapete, como querem.

  7. Quem escreveu essa matéria é nitidamente do lado do PT, só não vê quem não quer.

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