Se não bastasse desligar diversos pontos de energia pública, a administração de Fernão Dias, anunciou o desligamento de radares. Tudo em nome da crise, cortes de gastos e necessidade de economia.

Quando falamos em desligar radares, a maioria da população, a princípio, comemora de alegria. Porém, cabe aqui uma reflexão, que vai muito além do bolso daquelas pessoas que cometem infrações de trânsito.

Em primeiro lugar, é bom lembrar que só e multado quem comete infração. Ou seja, no caso dos radares, quem ultrapassa os limites de velocidade e dos equipamentos de fiscalização eletrônica, quem avança o semáforo vermelho ou para na faixa de pedestres.

Ou seja, quem respeita as leis de trânsito não é penalizado.

Quem ultrapassa limites de velocidade e cruza semáforos vermelhos, coloca em risco não só a própria vida, como também a vida de outros.

Será que estas pessoas não merecem a penalização?

Ao desligar equipamentos como os implantados há anos na Avenida José Gomes da Rocha Leal, no cruzamento com a Rua Filipe Siqueira, por exemplo, a administração municipal se esquece das dezenas de acidentes que já foram registrados no local, inclusive com vítimas fatais.

Ao desligar as lombadas eletrônicas em vias como a Avenida José Gomes da Rocha Leal e Avenida Lindóia, abre um enorme brecha para que voltem os chamados “rachas” e abuso de velocidades que também no passado fizeram vítimas nestas duas vias.

Enfim, a Prefeitura faz uma economia de dinheiro e coloca em risco vidas. Será que vale a pena esta economia? Quanto vale uma vida?

O assunto é polêmico. E em ano eleitoral vai ter muita gente entrando de carona no desligamento na tentativa de angariar votos. Desligar radares, querido leitor, não dá votos, coloca em risco vidas.

Eu sei que meu texto receberia muito mais curtidas e compartilhamentos se eu dissesse que era uma decisão acertada. Porém, mesmo ciente das dificuldades financeiras pela qual a Prefeitura passa e da necessidade de realizar cortes como estes.

Em primeiro lugar porque estamos falando de vidas. Em segundo lugar porque a medida ao meu ver nada tem de inteligente.

Vou explicar o motivo.  Apesar da Prefeitura pagar mensalmente pelo equipamento ele tem que ser auto pagar e ainda gerar receita, que pode ser usado em melhorias na área de trânsito. Isto acontecia na gestão anterior a Fernão Dias e não tem porque ter mudado.

Se não está ocorrendo é porque algo há errado e não se investiu como deveria.

Não dá, por exemplo, para pagar para um equipamento fazer um serviço e só utilizá-lo com metade de sua capacidade. Na Norte Sul, por exemplo, o radar multava quem passava há mais de 40 km por hora no cruzamento com a Avenida Joanópolis e também quem ultrapassava o semáforo vermelho ou parava em cima da faixa.

O equipamento está lá. mas é sub-aproveitado, porque depois de um tempo passou a ser aplicadas multas apenas por avanço de semáforo e não por excesso de velocidade. Com isto, claro que a arrecadação diminuiu.

A mesma falta de planejamento vale para o equipamento instalado na Variante Farmacêutico Francisco de Toledo Leme que, além de não multar mais por decisão judicial, por meses ficou desligado por fala de energia elétrica. E o pagamento do aluguel neste período como ficou?

Falta de planejamento a parte, considero as medidas de desligar parte da rede de energia elétrica e os radares algo nada inteligente porque ambos tendem a contribuir com o aumento da criminalidade e da insegurança no município.

Mais uma vez eu pergunto: quanto vale uma vida?

Depois que as luzes foram apagadas os crimes aumentaram na cidade. A sensação de insegurança e o medo que as pessoas têm quando saem a noite é enorme e crescem a cada dia.

Os jornais trazem diariamente em suas páginas policiais a divulgação de roubos, furtos, prisões de quadrilhas, e traficantes. Os índices crescem. A insegurança aumenta.

Agora com parte dos radares e equipamentos de fiscalização eletrônicos desligados ficará também prejudicado o trabalho das forças de segurança da cidade.

Talvez você esteja se perguntando, mas o que a Guarda Civil, as Polícias Militar e Civil tem com isto?

Eu vou explicar.

Em 2009, a Prefeitura implantou o Complexo Integrado de Segurança, Emergência e Mobilidade – CISEM. Lá existe uma central da monitoramento onde a Guarda Civil opera todas as câmeras da cidade.

Todos os veículos que entram e saem da cidade, em seus 14 acessos, são monitorados. O mesmo acontece com os veículos que passam por todos os equipamentos de fiscalização de trânsito.

Diante disto, com o trabalho conjunto das forças de segurança, quando há um crime,  é possível descobrir por onde os criminosos passam com seus veículos e chegar aos autores dos crimes.

Só esta semana, por exemplo, o CISEM contribui com suas imagens de forma importantíssima para que policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) desmantelassem uma quadrilha que roubada e furtava veículos no município e os desmanchassem na capital. Mais de 10 pessoas foram presas.

Também graças ao sistema que é acoplado nos equipamentos de fiscalização de trânsito, foi possível a Polícia Militar deter durante esta semana quatro indivíduos acusados de tráfico de drogas, com cerca de 16 kg de maconha. Uma das maiores apreensões já registradas no município.

Se não bastasse estes dois exemplos, hoje também graças a CISEM, foram presas três pessoas acusadas de furtar pelo menos duas residências.

Desligar parte dos equipamentos não é só prejudicar a fiscalização no trânsito é andar para trás, no quesito segurança.

Quem acha que um corte destes é uma medida que vai gerar benefícios ao município, realmente não entende de segurança nem de trânsito. Esta na contramão do que qualquer cidade moderna faz.

Não é a toa, que Bragança Paulista, orgulhosamente serviu de modelos para tantos outros municípios.

Ana Maria de Oliveira
Jornalista
12/08/2016