abaixo-assinado fechamento CASA
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Por Filipe Granado

Professores da Fundação CASA de Bragança Paulista estão coletando assinaturas para um abaixo-assinado que será enviado ao governador João Doria, manifestando o posicionamento contrário a suspensão das atividades da unidade na cidade.

“O local conta com 42 servidores efetivos, mais 27 contratados e 8 professores para atender a entidade e em 12 anos de serviço em Bragança Paulista, nunca houve nenhum tipo de problema grave. A grande questão é que nesses 12 anos de trabalho a entidade, sempre contou com um conjunto educacional para os jovens em recuperação, tendo todo o suporte escolar na unidade baseado nas leis do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Com o fechamento da unidade os  profissionais de Bragança Paulista perderão o emprego, e muitos serão realocados para outras cidades, o que se torna inviável no presente momento visto que estamos em meio a uma pandemia e muitas famílias serão afetadas, seja com a perda do emprego ou com relocação do emprego”, diz trecho do documento.

Desabafo dos professores

A reportagem do Em Pauta conversou com uma representante do movimento, a professora Cristiane Santos. Ela contou que trabalha na Unidade desde o ano de 2015 e todos os funcionários tiveram conhecimento sobre o encerramento das atividades pela imprensa. “A Fundação CASA em nenhum momento falou com os funcionários e professores, o que estava acontecendo”, disse.

“Quem não está do lado de dentro, só observa por fora, pensa que todos são selvagens, que vão continuar no crime. Mas a realidade muda quando entra lá dentro. Pra quem acha que fechar a Fundação CASA é bom está enganado”, frisou.

A professora fez questão de explicar o trabalho que era realizado. “Aqui conseguimos fazer um trabalho socioeducativo, com estudo. Escola de manhã e cursos da COMENOR e do SENAC no período da tarde. Eles são encaminhados às firmas e tem todo acompanhamento. São cursos de pizzaiolo, de salgadeiro, de garçom, pintor e quem trabalha com grafiato”, contou a professora.

“Também tiveram adolescentes, que ganharam bolsa da Universidade São Francisco. Enfim, encontramos com eles na rua e eles vem no agradecer. É verdade também que tem aqueles que não tem um final feliz, mas não podemos generalizar”.

Com o encerramento das atividades da Fundação CASA em Bragança, os jovens da cidade apreendidos devem ser encaminhados para outras cidades próximas, como Atibaia, Franco da Rocha e Sorocaba.

E sobre esta questão, a professora Cristiane explicou o contexto de Bragança e de outros municípios. “Em Bragança, não são casos de alta periculosidade, a grande maioria dos casos da região são relacionados ao tráfico. E quando vão pra outras unidades, se mistura com crimes mais pesados como assalto, homicídio, estupro. Estão misturando tudo”, afirmou.

“É um trabalho de 12 anos jogados no lixo. Bragança era considerada modelo”, finalizou.

Aqueles que se interessarem em assinar o abaixo-assinado, podem o fazer por meio do link: https://www.abaixoassinado.org/abaixoassinado/50692

MOÇÃO AO GOVERNO DO ESTADO

Na sessão da Câmara Municipal de ontem, 28, os vereadores aprovaram por unanimidade a moção n° 33/2020, designada ao secretário estadual de Justiça do Estado, Paulo Dimas Mascaretti, manifestando apoio do Legislativo à permanência das atividades da Fundação CASA em Bragança Paulista.

O vereador Marcolino afirmou que neste momento a Unidade conta com apenas quatro reeducandos e vários funcionários concursados já estão sendo realocados em outros municípios.  Inclusive, a senadora Mara Gabrilli solicitou uma reunião com o secretário estadual, para que a questão seja tratada pessoalmente ou virtualmente.

NOTA DE REPÚDIO

Os membros do Conselho Municipal dos Direitos das Crianças e do Adolescente (CMDCA) manifestaram seu repúdio pelo encerramento do termo de colaboração entre a COMENOR (Organização da Sociedade Civil Associação Companheiros do Menor de Bragança Paulista) e a Fundação CASA.

“Além de ir na contramão das disposições do Estatuto da Criança do Adolescente, também fere frontalmente as disposições Constitucionais que determinam as premissas de cumprimento das medidas socioeducativas pelos jovens infratores”, diz trecho da Nota encaminhada a sede da Fundação CASA, a Secretaria Estadual de Justiça, ao Ministério Público e a OAB.

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