Quando o assunto é suicídio, o tema ainda envolve muitos tabus.

Jornais e veículos de comunicação costumam por ética, não publicar o assunto. Há quem acredite que expor  os casos pode influenciar pessoas que já estão pensando em se matar. Outros, acreditam que é expor demais quem já morreu e sua família.

A reportagem do Bragança Em Pauta, sempre optou por não divulgar casos assim. Mas, infelizmente, com o advento da internet, os casos se espalham rapidamente pelo facebeook e  WhatsApp e diante de uma ocorrência registrada na tarde deste domingo, dia 23, entendemos que chegou a hora de discutir o assunto.



O Guarda Civil, Raimundo Gonçalves de Souza, de 41 anos, teria atirado contra si mesmo, no peito, hoje a tarde por volta das 14h.  Ele ainda foi socorrido ao Hospital Universitário, mas não resistiu e faleceu.

Durante a semana chegou à reportagem a informação que um jovem teria se jogado de um apartamento no Águas Claras.  Há alguns anos mais de um caso de pessoas que pularam do edifício New York, no centro da cidade, foram registrados.

O suicídio do Guarda Civil, Gonçalves, que tirou a vida com a arma, que usava para se defender e proteger a vida de tantos outros cidadãos,  acontece na semana que a Câmara Municipal aprovou o projeto de lei nº 24/17, que tratou da criação da Semana Municipal de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio. De autoria do vereador Antonio Bugalu, o projeto foi aprovado em 2º turno por unanimidade.

O tema é delicado mas precisa de atenção.

Muitas vezes, se você simplesmente prestar atenção nos sinais que as pessoas com a qual você convive estão dando, pode ajudar alguém sair da depressão e evitar uma tragédia.

Segundo dados da pesquisa Violência Letal contra as Crianças e Adolescentes do Brasil e do Mapa da Violência: os Jovens do Brasil, ambos coordenados pelo sociólogo Julio Jacopo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), entre 1980 e 2012, as taxas de suicídio cresceram 62,5% na população em geral.

Na faixa etária dos 15 aos 29 anos são registradas 5,6 mortes a cada 100 mil jovens, ou seja, número 20% acima da média nacional.

Segundo a cartilha Suicídio, Informando para Viver, da Associação Brasileira de Psiquiatria, apenas 3% dos casos não podem ser relacionados a alguma doença psiquiátrica.

A cartilha aponta que 36% dos suicidas apresentam distúrbios de humor e 22% transtornos por uso de substâncias psicoativas, então faça a sua parte e fique atento se alguém se expressar mesmo que em tom de brincadeira, que quer por fim a vida.

Fique atendo também em:

  • alterações bruscas na personalidade ou nos hábitos;
  • comportamento ansioso, agitado ou deprimido;
  • afastamento da família e de amigos;
  • descuido com a aparência;
  • mudança no padrão usual de sono;
  • comentários autodepreciativos ou negativos
  • comentários sobre morte, sobre pessoas que morreram e interesse pelo assunto;
  • doação de pertences que valorizava;

Ainda não há horário de sepultamento do guarda, que trabalhava há 15 anos, na corporação. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil para apurar os motivos da morte.