Na terça-feira, 14, aconteceu mais uma sessão ordinária na Câmara Municipal e na oportunidade foi apreciado requerimento a fim de conceder ao prefeito Jesus Chedid, 60 dias de licença, sem remuneração.

O afastamento foi aprovado, mas os vereadores da base Paulo Mário e Beth Chedid, acabaram se contradizendo sobre os reais motivos do afastamento.

Porque Chedid pediu 60 dias de licença?

Paulo Mário, que é líder do prefeito na Câmara Municipal, anunciou que o pedido de licença, por mais 60 dias é para que o prefeito de Bragança Paulista, Jesus Chedid coordene a campanha do filho, o deputado estadual Edmir Chedid.

Beth Chedid, entretanto, o desmentiu e disse que apesar da preocupação com a legislação eleitoral e cuidado em preservar a máquina pública, o coordenador da campanha, não é o prefeito Jesus Chedid e sim o ex-secretário de Cultura e Turismo, Cléber Centini Cassali.

O prefeito, segundo ela, se afasta para tratar de problemas pessoais. Quais? Não foram revelados.



Como é que é?

Isto mesmo, o pedido de 60 dias de licença veio depois que o prefeito Jesus Chedid já está há 45 dias afastado do cargo. Ele primeiro tirou 15 dias de licença saúde para, segundo o divulgado na época pela Prefeitura cuidar de uma gripe.

Na sequência, ele pediu 10 dias de férias e em seguida, mais 20.  Ao todo, contando com estes 60 dias, desde janeiro de 2017, somam-se 165 dias de afastamento, ou seja quase seis meses.

Durante a sessão, o líder do prefeito na Câmara Paulo Mário, foi o primeiro a se manifestar e  ressaltou que muitos podem até achar estranho, porque a licença vem seguida das férias e licença saúde, mas garantiu que Jesus Chedid pediu os 60 dias para poder coordenar a campanha eleitoral do deputado estadual Edmir Chedid.

“Todo mundo pode pensar que é uma extensão de tudo isto, mas não é. Hoje a legislação eleitoral está por demais exigente, tá difícil de você enfrentá-la principalmente ocupando cargo do executivo e o prefeito achou por bem se afastar, sem remuneração,para coordenar a campanha do Edmir e não atrapalhar o candidato”, disse Paulo Mário.

O pedido de afastamento havia sido anunciado na semana passada pela própria Prefeitura, que alegou na oportunidade, que o prefeito iria cuidar de assuntos pessoais e a declaração de Paulo Mário caiu como uma bomba na Câmara Municipal.

O vereador Basílio Zecchini Filho, que foi o segundo a se manifestar, ressaltou que Jesus Chedid foi eleito com mais de 60 mil votos e que as pessoas esperam que ele governe e não o vice-prefeito Amauri Sodré. “Enquanto ele teve que se afastar por motivos de saúde teve meu total apoio, porque com saúde a gente não brinca. A gente tem que respeitar o tempo que ele precisar”, disse.

Ele cobrou, entretanto, que com a cidade cheia de problemas não é correto, em seu ponto de vista, o prefeito se fastar para coordenar uma campanha de deputado.

“Eu não concordo e tenho recebido cobranças”, disse o vereador acrescentando que quem votou nele, votou porque gosta do jeito dele de administrar e sente a diferença com seus afastamentos.

Na sequência Beth Chedid contradisse as informações do líder do prefeito na Câmara e acrescentou que apesar da existência  da preocupação em resguardar a máquina pública por causa da campanha, quem coordena a campanha do deputado  Edmir Chedid é o o ex-secretário de Cultura e Turismo, Cléber Centini Cassali que coordenou o campanha do prefeito em 2016 e deixou o cargo em maio, após manifestação da justiça por causa de uma condenação em Serra Negra.

“Eu não tenho esta notícia que seja para coordenar a campanha do filho. O ofício que recebi é para tratar de assuntos particulares. Se o vereador Paulo Mário recebeu esta notícia, não foi a notícia que eu recebi”, enfatizou ela.

Na sequência Marcus Valle disse que espera estar errado, mas que acredita que o afastamento de Jesus Chedid é por questões de saúde. ” É muita coincidência várias licenças médicas, depois férias, que o Jesus não costuma tirar.  Ele já foi prefeito outras vezes e não costumava tirar férias. Eu acho que é um problema de saúde e eu não estou aqui querendo tripudiar sobre ninguém não. Eu não esconderia, mas é uma questão pessoal”, disse.

Marcus Valle chamou a declaração do líder de que o afastamento era para coordenação de campanha, de no mínimo, desastrosa. “Para se esconder uma coisa que pode acontecer com qualquer um de nós (…) para poupar uma imagem, se cria uma situação que é ainda pior: que ele vai sair para coordenar campanha. Não é característica dele (…). Eu não acredito que ele está se afastando para coordenar a campanha. Eu acho que os motivos particulares são motivos de saúde. Eu acho. (…) Se ele tivesse que fazer campanha, estando na Prefeitura, faria com muito mais eficiência”, disse.

Beth Chedid pediu para que os vereadores se ativessem ao ofício encaminhado à Câmara Municipal onde o prefeito pede afastamento para tratar de motivos pessoais e tentou reverter as declarações de Paulo Mário de que Chedid sairia para coordenar a campanha.

“O prefeito Jesus nunca fez isto e nunca faria”, disse Beth Chedid que ressaltou que outra pessoa informou Paulo Mário sobre a coordenação e que estas não eram as informações que ela tinha.

Paulo Mário, não se manisfestou mais sobre o assunto e nem revelou quem disse para ele que o prefeito iria coordenar a campanha, ficando em uma posição desagradável.

Desde que Jesus Chedid se afastou em junho é visível os desentendimentos e principalmente a falta de comunicação no seu grupo, não só entre os vereadores, mas também entre os secretários. Na secretaria de Mobilidade Urbana, por exemplo, várias medidas foram tomadas e depois a administração voltou atrás.

Conhecido por governar com pulso forte e acusar os ex-prefeitos, Jango e Fernão Dias justamente de falta de liderança, o bate cabeça na administração é visível, como mostra as declarações desencontradas dos vereadores.

Ainda durante a sessão, Quique Brown, pediu que para sanar as dúvidas, o prefeito venha a público e esclareça o caso, se está se afastando por motivos de saúde, para coordenar a campanha ou para resolver problemas pessoais.

Desde que saiu de licença, Chedid nunca mais apareceu em público, nem em eventos eleitorais, como por exemplo, a visita de João Dória à Bragança Paulista, nem em inaugurações da Prefeitura ou eventos. No dia 6 de agosto, ele comemorou 80 anos e o aniversário passou praticamente desapercebido  até mesmo nas redes sociais. No dia dos pais, também nenhuma mensagem foi gravada por ele e transmitida à população, como costumeiramente ele fazia.

“O próprio grupo não sabe de fato o que está acontecendo e se aqui a gente não sabe o que está acontecendo, imagina lá na Prefeitura”, ressaltou Quique Brown.

Cláudio Moreno deixou nas entrelinhas que o afastamento é sim por questões de saúde e defendeu, por sua vez, a necessidade de que a Prefeitura divulgue uma nota sobre o real  estado de saúde do prefeito, acrescentando que pelo que ele sabe, está bem melhor.

Por causa do anúncio de que o afastamento é para coordenar a campanha, Moufid Doher, Quique Brown e Basílio Zecchini votaram contra o afastamento.